15 de jan de 2014

A relação com minha mãe e a pornografia, os primeiros passos de um pequeno machista.





sabe-se que esse assunto é por demais amplo, o debate não cessa e há muito a incluir.E é por esse motivo que esse texto se propõe a ser uma pequena janela,
um texto que demonstra apenas uma pequena visão que tenho sobre o assunto nesse momento. Podendo a qualquer hora ser alterado por um outro pensamento que venha se integrar ou excluí-lo.

Imagine, primeiramente, uma criança, que vejo como neutra de sexualidade, mas nas definições padrões, do sexo masculino e hétero. Imagine que essa criança tenha nascido em um lar a qual ela possuía um pai( sexo masculino) e uma mãe( sexo feminino). Ela cresceu em um lar sem nenhum tipo de violência doméstica, ou pai alcoólatra ou qualquer outro atenuante, qualquer agrave traumático e isso inclui violência sexual. Essa criança foi educada dentro dos "preceitos sociais padrões previstos", sendo uma criança integrada dentro de uma "família ideal tradicionalista" porém "moderna". Isso vai se elucidar um pouco mais a frente.
Essa criança foi criada dentro do catolicismo, mas não tão dentro.Preceitos do Cristianismo vagos e umas missas de vez em quando. Algumas orações na hora de dormir,
algumas definições de certo e errado. Nada nunca muito esclarecedor, porém, sempre instrutivo. Mas havia uma coisa que o pequeno machista começou a observar...
Seu pai e também o "homem da casa", trabalhava, passava o dia todo fora. Era dele que vinha o dinheiro para tudo, alimentação, roupas, brinquedos e etc. Era seu pai
que provia qualquer coisa que dependesse de dinheiro. E era ele também que se irritava e exigia coisas de sua esposa, sempre argumentando o quanto tinha que trabalhar
para que tudo ali naquela casa fosse daquele jeito. A mãe desse menino, por outro lado, não trabalhava fora, trabalhava em casa, embora não se usava o termo
"trabalhar" e sim, apenas, "do lar" ou "dona de casa". Sua mãe veio de um lar extremamente patriarcal, pai severo com muitas filhas, todas presas dentro de casa quase
até o momento de casarem. Patriarcado que prezava pela "honra" das filhas e as afastando das "sem-vergonhices" da vida. Traçando uma clara separação entre mulheres que
são "da vida" e "não de família" daquelas prontas para casar e "darem muito orgulho". Essa mãe tem um visual claramente cansado, um espectro, pouca vaidade ou nenhuma,
totalmente diferente daquelas mulheres de comerciais e de filmes. Cansada, acabada, mas extremamente amorosa, sorridente para com o filho, com rugas, com marcas de
tempo, fragilizada fisicamente, mas com uma força descomunal. Mantém tudo em seu lar na mais perfeita ordem e preza totalmente pela felicidade de seu filho, e que, claro, se torne um homem de bem e bem sucedido, Termos que na nossa sociedade hoje significa ganhar dinheiro( e tão somente) e usar terno.

Essa criança cresce um pouco mais e começa a despertar sua curiosidade, que nos dias de hoje são facilmente saciadas com o uso da internet.O uso da internet não acompanhada pelos pais, com a gama de opções e o bombardeio de informações, facilmente se chega até a pornografia. Basicamente é a terceira mulher que um menino conhece. Terceira pois a primeira é sua mãe e adjacentes parecidas (avós e tias), a segunda e a professorinha, outro exemplo de mulher de extremo zelo. Um clichê a la "Carrossel", mas quando se chega a pornografia é que se abre um novo mundo.

Conhecemos e degustamos da objetificação da mulher, provavelmente nosso primeiro contato com a objetificação, sem saber que é isso que acontece. Dezenas de masturbações por semana para qualquer vídeo, foto ou capa de revista. Temos contato com aqueles modelos idealizados, que nos dá uma visão de um sexo( sexo esse totalmente ou quase totalmente falsificado), Mas que nos mostra um novo jeito de se ver uma mulher. A mulher que não só cuida e orienta, mas uma outra mulher, que atende a desejos carnais de uma maneira até performática. A pornografia é aquilo a qual a prática ou o conhecimento nos faz(aos machistas)separar as mulheres em pelo menos dois grupos. E nesse ato machista separamos as mulheres em "para casar" e "para comer", Basicamente separamos as mulheres em "mães" e "não-mães". A mulher
do video pornô não cuida de nós, não sorrir para nós, não nos orienta. A mulher do video pornô ja aparece pelada, ou quase, já começa o video sensualizando, se despindo e se submetendo aos desejos, posições e maneiras do homem em pé, que nem aparece muito, a não ser seu falo ereto  e algumas outras partes quase  que inevitáveis. Tiramos.Tiramos essa mulher da pornografia e a procuramos pela sociedade, pelo dia a dia. São aquelas ditas "piranhas","vadias e "vagabundas". Aquelas que só servem para ser amantes, que não servem para "apresentar para os pais", Aquela que mesmo querendo transar com ela no primeiro encontro, a xingamos na roda de amigos exatamente pelo fato dela ter transado no primeiro encontro. Essa mulher que através da historia da sociedade ganhou muitos nomes e todos eles pejorativos é a realização do objeto de nossa pornografia inicial. Ela sai das telas, das revistas ou do nosso imaginário( dependendo da época e o acesso) e vai para o nosso dia a dia,vai para nosso trabalho ou faculdade. Essa mulher que não queremos para nada além de pornografia, pois aprendemos desde do inicio que ela não serve para nada a mais além de estar pelada e submetida.

Procuramos, por outro lado, para namorar, noivar e casar, mulheres que ao máximo pareça com nossas mães, mulheres que tiveram pais como o pai de nossas mães e que tenha ficado dentro da rédea como nossa mãe ficou. Procuramos mulheres que se submeta, mulheres que também aprenderam a ser machistas. Procuramos mulheres que acham que se submeter é o caminho mais fácil ou o único caminho. Procuramos mulheres que não vão nos contestar. Pois aprendemos, na divisão dos grupos, que as mulheres devem ser julgadas pela quantidade de parceiros sexuais que possui. Que não são confiáveis se transam no primeiro encontro. Mulheres que vivem a vida da maneira delas, são "mulheres da vida", E nós como pequenos machistas pequenos, separamos esses dois grupos básicos, louvando um e humilhando o outro. Embora sempre na calada da noite procure o sexo daquelas consideradas vagabundas. Procuramos uma mentira que precisa ser dita que é mentira. A criança que cresceu nesse lar aparentemente ideal, tornou-se um machista e que potencialmente poderá acarretar em comportamentos mais terríveis, chegando até a algum tipo de violência.

Os grupos, a separação e qualquer tipo de contabilização de sexo não deveria ocorrer, mas é claro, ocorre, não será tão cedo, pois ela vem de berço, do nosso berço azul pois azul é cor de menino. Do nosso lar, da nossa casa, do nosso primeiro brinquedo. Aquele carrinho de formula 1, pois carrinho é brinquedo de menino. O machismo enraizado está ai.





2 comentários:

  1. Rafael Pratts iniciou um novo blog? Quem você tá querendo impressionar agora, Rafael? HAHAHAHHHAHAHAHA

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