25 de ago de 2013

Sobre o dia que o show acabou antes da música





Se você for como eu, mesmo que não seja, talvez você dê uma trilha sonora para vários momentos da sua vida, principalmente costumamos colocar um som para ajudar eternizar um momento pelo qual nossas lembranças vão sempre querer deitar, mas, às vezes, o show acaba antes da música. Ou escolhemos a trilha sonora certa para a pessoa errada.

Existe uma descrença nos sentimentos hoje em dia. Principalmente no que se refere a um relacionamento. Existe a descrença no próprio relacionamento e nos rótulos que foram criados. Essa descrença é defendida por uma parte das pessoas, parte essa que desistiu de tê-lo. Mas que é discordada pela outra, os que insistem em promovê-lo. No geral, toda e qualquer instituição está sendo altamente discutida e o debate parece ser inconclusivo, e ao meu ver, é melhor que seja assim.

Pessoas que não conseguem viver sozinhas e necessitam pular de um relacionamento para o outro sempre buscando uma aprovação geralmente escolhem as músicas certas para as pessoas erradas, mas não são as pessoas escolhidas que são erradas necessariamente. O que seria errada é a maneira a qual a escolha da música é feita. Esse momento não pode haver pressa. A música tem suas regras que não são fixas mas são respeitadas, é possível viver só e quanto mais você sabe viver só, mas escutará músicas inteiras e não quebrará as regras nem pulará para os refrões e nem irá esquecer o inicio da melodia. 

Acho que todo relacionamento musical deveria seguir o andamento do "alegro ma non troppo", ou seja, um andamento rápido mas não muito, moderadamente rápido. E o BPM é de 90 a 120, mais ou menos como deve ficar o coração sorrindo.

Antes de dar a essa pessoa uma música temos que entender que a música não é um plano de fundo da relação, pois não é uma paisagem. Sendo então a paisagem como plano de fundo, ela apenas especifica o lugar o qual a coisa aconteceu, o plano de fundo é testemunha e não é tão importante assim,pois se fosse não ficaria ao fundo. Mas, a música, escute bem... a música participa diretamente da relação, a música faz um ménage à trois. Ela está diretamente envolvida e não como testemunha, ela é cúmplice. Pois a diferença entre testemunha e cúmplice é bem clara, a testemunha presencia ou ouve um fato, enquanto um cúmplice toma parte moral ou material de um crime. E se a música tomou parte, você tem um compromisso de saber a quem você está executando.

Uma relação mesmo sem um rótulo é um show. Esse show é uma cadeia de ansiedade boa. Vai desde de antes de acontecer, desde da compra do ingresso. Ali já se imagina como vai acontecer mas é tudo especulação, tudo hipótese Conhecer alguém e já se interessar subitamente é isso, comprar o ingresso, apostar que aquele show vai ser bom e fazer acontecer para que o seja. O show só acontece pelo fato de você estar ali, e a metáfora serve mesmo se você se imaginar na plateia ou no palco, ambos só ocorrem se um tiver o outro, e o jogo platéia e palco é o show em si e você e a pessoa também.

Todo o ritual para o show é importante. Não marcar mais nada para o dia, separar o que precisa, contactar quem for necessário e partir para o momento que o show acontece. E o show aconteceu, a música foi feita, a sonoridade nos invadiu.

A escolha do show é a escolha da pessoa, pois tal como não frequentamos shows que não nos agradam, não podemos escolher pessoas que não vão nos fazer um espetáculo. Não saímos mais cedo de um show que está bom. Não vendemos o ingresso para um show que esperamos muito, não saímos do show antes do bis. Se a música acaba antes do show é pelo fato de que essa pessoa não nos fez espetáculo algum. Se a música acaba antes do show é de se acreditar que esse dia não teve show.


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