12 de jul de 2013

Sobre onde mora a sensibilidade





Possivelmente é uma escrita atemporal que estou fazendo agora. Espero também que seja pouco enfeitada e de alta precisão. Uma extração real e racional de um sentimento ou talvez apenas dissolver uma dúvida ou acompanhar o fluxo da mesma, diria que talvez seja apenas uma dívida minha comigo mesmo descobrir e falar  sobre o  lugar no qual vive a sensibilidade, mais precisamente, onde vive a minha sensibilidade.

Não está no meu plano definir o que seria a sensibilidade, seria pretensão demais achar que eu posso dar fim a algo que não seja a mim mesmo. Minha ideia aqui nada mais é que pulsar um signo que para mim foi sempre ou quase sempre o motivo das minhas perturbações: sentir exageradamente o que é incrivelmente pequeno. É como dar valor aos pequenos pingos de "i" e por vezes me odiar por não mais ter a chance de colocar nenhum pingo nos "i"s já que pouco escrevo coisas no papel e quando escrevo, são tão sem poesia que não valem o pingo. São "post-it" de avisos, são frases imperativas ou algum recado para a minha própria memória já um pouco cansada de lembrar mas que nas noites se esforça em não esquecer.


Entre inúmeras definições que podemos encontrar nos dicionários sobre a palavra "sensibilidade" ou "sensível', neles sempre haverá o destaque para a facilidade de receber estímulos externos ou os de expurgar os internos e muitas vezes uma possível ligação com a fraqueza, da fraqueza é totalmente compreensível a ligação já que sensibilidade, ao meu ver, seria tal como segurar o singelo, é onde mora o zelo é onde existe elo.

Se existe então um elo entre sensibilidade e fraqueza( o que para mim não tem cabimento mas entendo) é o mesmo que dizer que o rude está ligada a força, nem todas pessoas que são rude são fortes e nem todos os fortes são rudes e poderia dizer que nem todo fraco é sensível e nem todo sensível é fraco. Os antônimos quando brigam procuram o lado no qual mais se encaixam, mas quando esses antônimos se beijam é onde mora o alivio.

Estranhamente eu conecto sensibilidade a toda forma de expressar um pulso rápido e sincero que precisa de um estimulo mágico e que não necessariamente precise de sujeitos. A parede está gelada nesse minuto, mas não preciso do meu tato para sentir o seu gelo,os meus olhos o sentem, e eu não sou o sujeito que diz que está frio, meus olhos me dizem, o tato escuta e a mente faz de conta que não está vendo essa bagunça de sentidos que está ocorrendo só de olhar para a parede branca e sem um nome só para ela. É só uma parede, é a minha, mas é só uma. A parede me mostra que existe uma conexão atípica entre ela e meus olhos e o sentimento entre eles eu não me meto,parecem brigados. Reparo também que tudo é confuso quando não se tem perto aquela pessoa. Os sentidos não se entendem.

O toque é o que melhor degusta dos prazeres sentimentais. O toque me parece o mais real dos sentidos, diria que ele é o dono da casa. Sentir a pele daquela pessoa que você contou os dias para ver e que muitas vezes ouviu a voz em algum meio gelado de comunicação, aquela engolida na saliva insossa da distancia, tudo, mas tudo isso é suprido ao pulsar do tato. Ele é o chefe, o dono do fim da saudade, o que senta na ponta principal da mesa.O toque na pele, nos cílios, no cabelo e tudo se vai, esvai. Todo cuidado vira adulto e só quer cuidar. é por isso que quando tocamos alguém que queremos muito, seja com as mãos ou com a língua, nós fechamos os olhos, pois não precisamos ver o que está acontecendo, confiamos totalmente no dono da casa sensível e nos jogamos, ele dita todo cuidado e mata toda vontade. Após essa fricção contra a pele, sentimos o gosto, sentimos o cheiro e finalmente enxergamos tudo aquilo que foi talhado, é tudo real. Os sujeitos estão densos, cada um com seus cinco sentidos em total sincronia e depois desse incessante momento que acaba mas não de verdade termina, eu só consigo pensar que a sensibilidade é vizinha da alegria.

Existem muitas formas de sentir mas nenhuma delas precisa ter forma. Nenhuma virá em pacotes ou será vendida em lojas,não aparecerá nos comerciais. O sensível é minimalista de natureza, mas a natureza dele é ser grande, porém cuidadoso. É o grande que não é estabanado. Observar, tocar, cheirar, sentir e provar é uma família completa e tão completa que mesmo que você não tenha um dos membros em casa você consegue se manter sentindo. Saber aproveitar isso não te torna fraco. Ser alguma espécie de Ogro que ama flores é o que tenho sido e tudo é uma desculpa para amar.

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