3 de fev de 2013

Sobre a defasagem sentimental e o Carnaval






Então, estamos no inicio daquele fevereiro( ou desse) fevereiro que sempre tem gosto de chegada, tão aguardado para alguns, tão odiados para outros, entre críticas prós e contras nada é resolvido. Não há o que se resolver, é Carnaval!


Os panos que caem nesse período,  dias de lavar a alma, de deixar amores e enganos, desenganos, planos, tantos. Dias de deixar tudo em casa, de olhar a morena, as pernas, os shorts, não há saudades no Carnaval, a não ser do outro que passou, daquele, aquele, que se possível for, vai ser esse o melhor dos Carnavais.

Então me pergunto da finalidade da folia ser centralizada, especificada e datada, de uma sociedade tão desorganizada, marcar uma data anual tão aguardada para ser feliz. Se dias e noites são abstrações não entendo o porquê de organizar o amor, de organizar a dor, de organizar o favor, até o calor não escolhe dia, mas nós escolhemos os domingos para ser entendiantes. Escolhemos as segundas para serem Judas e as sextas para serem a crua felicidade nua, tua, minha e daquela moça de sorriso intenso...

Existe uma defasagem sentimental, existe entre dezembro e fevereiro um janeiro. Existe uma defasagem no meio de todos nós, todos somos janeiros, aquele mês que ninguem espera. Ou aquele mês que todos esperam passar. Vivemos entre as falsas esperanças que o dezembro promete trazer tal como um canalha que promete afeto, vivemos a agoniante espera dos quatro dias de fevereiro enquanto os 31 dias de janeiros se passam como tudo passa. Existe um janeiro que ninguém vê.

Mas de todo esse Carnaval, existe aquela também, aquela quarta feira de cinzas, de cinzas para ser apavorante, da roupa de rei que vestíamos e pulávamos, sobrou um dia que é meio feriado, meio dia útil, que confuso! Um dia que é meio alguma coisa só pode ser para  deixarmos o nosso reinado de forma calma, de forma cinza para não ser escura. Então nesse dia quase engraçado é que retornamos aos janeiros que somos, ao janeiro que temos. Retornamos para a oscilação de dias entre 30 e 31, tantos dias, mas só pensamos naquele mês que é tão diferente que nem ao menos chega a ter 30 dias, mais um tapa na cara dos janeiros, todos os outros meses são iguais. Todos são defasados e eu derramado

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