8 de mar de 2012

Chaves e a demonstração de valores no episódio que antecede a ida para Acapulco



O episódio é um velho conhecido da maioria e marca uma inesquecível viagem para Acapulco( ou Guarujá na redublagem). Mas a idéia não é simplesmente falar do episódio ou algo assim, quero ressaltar algumas coisas que percebi no mesmo.

Muito além de simplesmente fazer uma análise psicológica dos personagens ou falar de sua importância na construção do seriado, eu quero falar como é simples, bonito e emocionante tudo que remete o Chaves.

A vila é composta por moradores com traços de personalidades bem marcantes. A viúva que não perdeu a ideia de status, apesar de ter baixado sua classe social, a mulher solteira que ficou para "titia" e o desempregado,viúvo e preguiçoso mas de bom coração. As crianças da vila possuem um traço em comum: todas são órfãs, uma de pai outra de mãe e uma delas de ambos. O caráter delas se constrói na base de sua interação não apenas com sua família mas com toda a vila que ali  está.

Dos personagens externos a vila, temos um professor, que é o que traz o conhecimento para a vila de certa forma, e o dono da vila, que apesar de não pertencer aquela classe social e aquele estilo de vida, entende, de certa forma, como aquelas pessoas vivem.

Caso você veja o episódio para relembrar vai ver que de início o professor( logo a figura do professor) desconfia que a Chiquinha havia roubado um objeto e foi alertar o pai, pasmo  seu Madruga ressalta a honestidade mesmo na pobreza e de início fica intensamente triste com o ocorrido. Após a confusão ser explicada, o professor demonstra sua alegria em meio a tanta esperança que aquela criança demonstrou por ter comprado um objeto para concorrer a uma possível viagem e já estar falando como se a tivesse ganho e terminou com um adendo de que os adultos deveriam manter tal esperança e sonhos tal como fazem e são as crianças.

Alertada sobre a viagem e em uma incrível demonstração de inveja, Florinda e seu filho decidem ir para Acapulco como uma afronta ao vizinho. Como em uma infantil demonstração de " se ele pode eu posso" e preparam também uma viagem.

Dona Clotilde tem como motivação apenas a ida do Madruga para tentar uma aproximação amorosa, motivo idêntico ao do professor para com a Florinda.

Ao meio de todo o alvoroço da viagem quem fica esquecido em meio da felicidade e ansiedade da viagem é o pobre do Chaves, que calado permaneceu durante toda movimentação. Lembrar que apenas quem se despediu dele foi a Chiquinha, todos os outros não se deram nem conta da existência dele naquele momento, mas ele se mostrou forte e nada falou, nada comentou, apenas assistiu a tudo calado.

Seu Barriga ao chegar na vila e ser noticiado que todos haviam ido para Acapulco decidiu então também tirar umas férias, ao perceber o Chaves ali sozinho foi tocado e envolvido e o convidou para ir com ele. Ressaltar que foi o único adulto a notar e falar com Chaves mesmo sendo alguém externo a vila e de classe social elevada, situação não vista nem ao menos pelo professor, que vive e conhece a situação na qual vivem seus alunos de forma geral e nem por isso foi tocado por qualquer sentimento de exceção e visto que o único ali que não poderia fazer nada é o Madrugada. Houve sim omissão e falta de solidariedade por parte da Florinda( que quer comunicar status) e da Clotilde também. O fato de que o Quico não ter se despedido reflete apenas uma construção de caráter influenciada de sua mãe ou uma simples ansiedade. As crianças ali ainda estão em processo de formação de caráter e é muito importante que eles não sejam nutridos com sentimento de inveja e rancor tal como a Florinda alimenta.

O episódio é carregado de valores e sentimento. Para mim é simplesmente tocante e emocionante. Difícil de dimensionar o que eu sinto quando o assisto. Chaves é algo tão imortal quanto os valores que ele passa.

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