15 de jan de 2014

A relação com minha mãe e a pornografia, os primeiros passos de um pequeno machista.





sabe-se que esse assunto é por demais amplo, o debate não cessa e há muito a incluir.E é por esse motivo que esse texto se propõe a ser uma pequena janela,
um texto que demonstra apenas uma pequena visão que tenho sobre o assunto nesse momento. Podendo a qualquer hora ser alterado por um outro pensamento que venha se integrar ou excluí-lo.

Imagine, primeiramente, uma criança, que vejo como neutra de sexualidade, mas nas definições padrões, do sexo masculino e hétero. Imagine que essa criança tenha nascido em um lar a qual ela possuía um pai( sexo masculino) e uma mãe( sexo feminino). Ela cresceu em um lar sem nenhum tipo de violência doméstica, ou pai alcoólatra ou qualquer outro atenuante, qualquer agrave traumático e isso inclui violência sexual. Essa criança foi educada dentro dos "preceitos sociais padrões previstos", sendo uma criança integrada dentro de uma "família ideal tradicionalista" porém "moderna". Isso vai se elucidar um pouco mais a frente.
Essa criança foi criada dentro do catolicismo, mas não tão dentro.Preceitos do Cristianismo vagos e umas missas de vez em quando. Algumas orações na hora de dormir,
algumas definições de certo e errado. Nada nunca muito esclarecedor, porém, sempre instrutivo. Mas havia uma coisa que o pequeno machista começou a observar...
Seu pai e também o "homem da casa", trabalhava, passava o dia todo fora. Era dele que vinha o dinheiro para tudo, alimentação, roupas, brinquedos e etc. Era seu pai
que provia qualquer coisa que dependesse de dinheiro. E era ele também que se irritava e exigia coisas de sua esposa, sempre argumentando o quanto tinha que trabalhar
para que tudo ali naquela casa fosse daquele jeito. A mãe desse menino, por outro lado, não trabalhava fora, trabalhava em casa, embora não se usava o termo
"trabalhar" e sim, apenas, "do lar" ou "dona de casa". Sua mãe veio de um lar extremamente patriarcal, pai severo com muitas filhas, todas presas dentro de casa quase
até o momento de casarem. Patriarcado que prezava pela "honra" das filhas e as afastando das "sem-vergonhices" da vida. Traçando uma clara separação entre mulheres que
são "da vida" e "não de família" daquelas prontas para casar e "darem muito orgulho". Essa mãe tem um visual claramente cansado, um espectro, pouca vaidade ou nenhuma,
totalmente diferente daquelas mulheres de comerciais e de filmes. Cansada, acabada, mas extremamente amorosa, sorridente para com o filho, com rugas, com marcas de
tempo, fragilizada fisicamente, mas com uma força descomunal. Mantém tudo em seu lar na mais perfeita ordem e preza totalmente pela felicidade de seu filho, e que, claro, se torne um homem de bem e bem sucedido, Termos que na nossa sociedade hoje significa ganhar dinheiro( e tão somente) e usar terno.

Essa criança cresce um pouco mais e começa a despertar sua curiosidade, que nos dias de hoje são facilmente saciadas com o uso da internet.O uso da internet não acompanhada pelos pais, com a gama de opções e o bombardeio de informações, facilmente se chega até a pornografia. Basicamente é a terceira mulher que um menino conhece. Terceira pois a primeira é sua mãe e adjacentes parecidas (avós e tias), a segunda e a professorinha, outro exemplo de mulher de extremo zelo. Um clichê a la "Carrossel", mas quando se chega a pornografia é que se abre um novo mundo.

Conhecemos e degustamos da objetificação da mulher, provavelmente nosso primeiro contato com a objetificação, sem saber que é isso que acontece. Dezenas de masturbações por semana para qualquer vídeo, foto ou capa de revista. Temos contato com aqueles modelos idealizados, que nos dá uma visão de um sexo( sexo esse totalmente ou quase totalmente falsificado), Mas que nos mostra um novo jeito de se ver uma mulher. A mulher que não só cuida e orienta, mas uma outra mulher, que atende a desejos carnais de uma maneira até performática. A pornografia é aquilo a qual a prática ou o conhecimento nos faz(aos machistas)separar as mulheres em pelo menos dois grupos. E nesse ato machista separamos as mulheres em "para casar" e "para comer", Basicamente separamos as mulheres em "mães" e "não-mães". A mulher
do video pornô não cuida de nós, não sorrir para nós, não nos orienta. A mulher do video pornô ja aparece pelada, ou quase, já começa o video sensualizando, se despindo e se submetendo aos desejos, posições e maneiras do homem em pé, que nem aparece muito, a não ser seu falo ereto  e algumas outras partes quase  que inevitáveis. Tiramos.Tiramos essa mulher da pornografia e a procuramos pela sociedade, pelo dia a dia. São aquelas ditas "piranhas","vadias e "vagabundas". Aquelas que só servem para ser amantes, que não servem para "apresentar para os pais", Aquela que mesmo querendo transar com ela no primeiro encontro, a xingamos na roda de amigos exatamente pelo fato dela ter transado no primeiro encontro. Essa mulher que através da historia da sociedade ganhou muitos nomes e todos eles pejorativos é a realização do objeto de nossa pornografia inicial. Ela sai das telas, das revistas ou do nosso imaginário( dependendo da época e o acesso) e vai para o nosso dia a dia,vai para nosso trabalho ou faculdade. Essa mulher que não queremos para nada além de pornografia, pois aprendemos desde do inicio que ela não serve para nada a mais além de estar pelada e submetida.

Procuramos, por outro lado, para namorar, noivar e casar, mulheres que ao máximo pareça com nossas mães, mulheres que tiveram pais como o pai de nossas mães e que tenha ficado dentro da rédea como nossa mãe ficou. Procuramos mulheres que se submeta, mulheres que também aprenderam a ser machistas. Procuramos mulheres que acham que se submeter é o caminho mais fácil ou o único caminho. Procuramos mulheres que não vão nos contestar. Pois aprendemos, na divisão dos grupos, que as mulheres devem ser julgadas pela quantidade de parceiros sexuais que possui. Que não são confiáveis se transam no primeiro encontro. Mulheres que vivem a vida da maneira delas, são "mulheres da vida", E nós como pequenos machistas pequenos, separamos esses dois grupos básicos, louvando um e humilhando o outro. Embora sempre na calada da noite procure o sexo daquelas consideradas vagabundas. Procuramos uma mentira que precisa ser dita que é mentira. A criança que cresceu nesse lar aparentemente ideal, tornou-se um machista e que potencialmente poderá acarretar em comportamentos mais terríveis, chegando até a algum tipo de violência.

Os grupos, a separação e qualquer tipo de contabilização de sexo não deveria ocorrer, mas é claro, ocorre, não será tão cedo, pois ela vem de berço, do nosso berço azul pois azul é cor de menino. Do nosso lar, da nossa casa, do nosso primeiro brinquedo. Aquele carrinho de formula 1, pois carrinho é brinquedo de menino. O machismo enraizado está ai.





17 de dez de 2013

A vida de Pedro na música e poesia brasileira


               Pedro nasce em um soneto de Vinicius de Moraes, o qual lhe conta, de maneira resumida, as dificuldades para que Pedro tivesse um percurso totalmente e completamente facilitado nem que para isso tivesse que sentir todas as dores em seu lugar. A poesia em si é citada como a redenção daquele que o conta, uma  explicação a Pedro.


Pedro cresce e parece nada mais do que mais um brasileiro. Em Pedro Pedreiro de Chico Buarque o "Pedro pedreiro penseiro" esperando a vida acontecer enquanto apenas espera. Espera que a vida mude enquanto espera o trem. Pedro parece ir apenas no fluxo do trem. Pedro não vai sozinho, não vai por si só. Pedro fica sempre esperando, esperando e esperando. tudo que puder esperar. 




No relato de um amigo, uma visão de fora, nos dá com maior precisão o que ocorre na vida de Pedro. Em "Meu amigo Pedro" de Raul Seixas observa-se claramente a dualidade da maneira que Pedro vê sua vida e o que pensa do mundo em contrapartida com a vida e visão de seu amigo. Pedro é sacudido com tanta verdade, é mostrado que no fim, todos acabam do mesmo jeito. A maneira que Pedro vê as coisas poderia estar simplesmente equivocada.



No fim do percurso com a música "Com medo, com Pedro" de Gal costa, Pedro finalmente se encontra em epifania, juntamente com a sua companhia que não sente medo da vida ao estar com Pedro, e mesmo que sentisse se jogaria ao fundo que no fundo há mais. Pedro depois de passar por Vinicius, Chico e Raul se joga em Gal. Pedro nasce na voz de um e termina no fim do fundo, no fim de tudo, bem depois do fim do mundo. Pedro é só mais um brasileiro, junto dos clichês mas além deles também. Pedro é percurso, Pedro, o pensero. Pedro  que passou boa parte da vida esperando, julgando e se remoendo. Pedro que desesperadamente esperava o medo de continuar esperando, de ter que chorar escondido e sempre usar o mesmo terno. O Pedro talhado em Lágrimas de Vinicius e cotidianizado no trem do Chico se jogou com Gal para descobrir a porta no fim de tudo. Pedro entendeu que para onde ele vai seu amigo também vai. O fim é igual para todos. Todos os Pedros, todos os amigos dos Pedros e para todos nós. Esperar como ele fez é o que a maioria de nós fazemos. Nascemos todos sobre lágrimas de Vinicius mas podemos avançar e ir além do que nos conta Chico e Raul. Podemos terminar o percurso de outra maneira antes do fim de tudo. 



25 de ago de 2013

Sobre o dia que o show acabou antes da música





Se você for como eu, mesmo que não seja, talvez você dê uma trilha sonora para vários momentos da sua vida, principalmente costumamos colocar um som para ajudar eternizar um momento pelo qual nossas lembranças vão sempre querer deitar, mas, às vezes, o show acaba antes da música. Ou escolhemos a trilha sonora certa para a pessoa errada.

Existe uma descrença nos sentimentos hoje em dia. Principalmente no que se refere a um relacionamento. Existe a descrença no próprio relacionamento e nos rótulos que foram criados. Essa descrença é defendida por uma parte das pessoas, parte essa que desistiu de tê-lo. Mas que é discordada pela outra, os que insistem em promovê-lo. No geral, toda e qualquer instituição está sendo altamente discutida e o debate parece ser inconclusivo, e ao meu ver, é melhor que seja assim.

Pessoas que não conseguem viver sozinhas e necessitam pular de um relacionamento para o outro sempre buscando uma aprovação geralmente escolhem as músicas certas para as pessoas erradas, mas não são as pessoas escolhidas que são erradas necessariamente. O que seria errada é a maneira a qual a escolha da música é feita. Esse momento não pode haver pressa. A música tem suas regras que não são fixas mas são respeitadas, é possível viver só e quanto mais você sabe viver só, mas escutará músicas inteiras e não quebrará as regras nem pulará para os refrões e nem irá esquecer o inicio da melodia. 

Acho que todo relacionamento musical deveria seguir o andamento do "alegro ma non troppo", ou seja, um andamento rápido mas não muito, moderadamente rápido. E o BPM é de 90 a 120, mais ou menos como deve ficar o coração sorrindo.

Antes de dar a essa pessoa uma música temos que entender que a música não é um plano de fundo da relação, pois não é uma paisagem. Sendo então a paisagem como plano de fundo, ela apenas especifica o lugar o qual a coisa aconteceu, o plano de fundo é testemunha e não é tão importante assim,pois se fosse não ficaria ao fundo. Mas, a música, escute bem... a música participa diretamente da relação, a música faz um ménage à trois. Ela está diretamente envolvida e não como testemunha, ela é cúmplice. Pois a diferença entre testemunha e cúmplice é bem clara, a testemunha presencia ou ouve um fato, enquanto um cúmplice toma parte moral ou material de um crime. E se a música tomou parte, você tem um compromisso de saber a quem você está executando.

Uma relação mesmo sem um rótulo é um show. Esse show é uma cadeia de ansiedade boa. Vai desde de antes de acontecer, desde da compra do ingresso. Ali já se imagina como vai acontecer mas é tudo especulação, tudo hipótese Conhecer alguém e já se interessar subitamente é isso, comprar o ingresso, apostar que aquele show vai ser bom e fazer acontecer para que o seja. O show só acontece pelo fato de você estar ali, e a metáfora serve mesmo se você se imaginar na plateia ou no palco, ambos só ocorrem se um tiver o outro, e o jogo platéia e palco é o show em si e você e a pessoa também.

Todo o ritual para o show é importante. Não marcar mais nada para o dia, separar o que precisa, contactar quem for necessário e partir para o momento que o show acontece. E o show aconteceu, a música foi feita, a sonoridade nos invadiu.

A escolha do show é a escolha da pessoa, pois tal como não frequentamos shows que não nos agradam, não podemos escolher pessoas que não vão nos fazer um espetáculo. Não saímos mais cedo de um show que está bom. Não vendemos o ingresso para um show que esperamos muito, não saímos do show antes do bis. Se a música acaba antes do show é pelo fato de que essa pessoa não nos fez espetáculo algum. Se a música acaba antes do show é de se acreditar que esse dia não teve show.


19 de ago de 2013

Sobre a gramática da decisão e suas tristezas




          Existem varias palavras em nossa língua que por vezes nos trazem significados agregados e não os percebemos, pelo menos eu não.Porém, em alguns casos, podemos aludir convenientemente significados agregados para essa ou aquela palavra para gerar o efeito necessário. Existem diversos meios na poesia, por exemplo, de alcoolizar as palavras, mas não é o foco aqui enumerá-las( por motivo de não sabê-las em sua totalidade também)e sim, de focalizar especificamente em uma palavra: decisão.


         Adianto, antes de tudo, que não tenho nenhum compromisso com a verdade dos significados ou a etimologia das palavras, mas sim com o que o signo representa pra mim e como ele me faz me sentir. A língua como algo vivo possui seu próprio caráter, e como tudo que tem caráter a língua pode também não o ter. A língua como algo vivo, pode viver como qualquer um de nós e articular até mesmo um comportamento leviano, a língua pode nos enganar com uma ou outra mudança e fazer com que nos percamos ou pecarmos em seu vasto meio. Podemos delatar seu jogo leviano ou dilatar o seu comprimento, mas em um pequeno cumprimento descriminar o culpado e discriminar o insipiente, e se você for um incipiente melhor intender sobre o entender, talvez até enformar antes de se informar. As palavras são francas e elas podem te matar se você for fraco.


          Sobre a palavra decisão temos um significado bastante comum. Uma palavra corriqueira eu diria. Temos por decisão o ato de decidir, que seria: solucionar, resolver, fechar, concluir, optar, dar preferência,determinar e etc. A decisão nos parece algo que nos alivia, decidir algo pode ser tirar um peso das costas, embora uma decisão não seja algo necessariamente bom, decidir me parece algo simplesmente, necessário. A necessidade de decidir vai muito do nosso comportamento não exclusivamente humano, mas decidir é dar preferência a essa ou aquela opção que nos parece mais viável ou simplesmente a menos pior dentre as outras decisões que poderíamos tomar. Mas eu vejo a decisão como uma ruptura e vejo isso não só no significado mas como na palavra em si. Se separarmos "decisão" em dois elementos "de-cisão" temos o "de" que como prefixo pode carregar em si a noção de movimento descendente, separação,negação ou cessação( decodificar, desmistificar) e temos o elemento que eu diria que é o principal: cisão. Cisão é cindir, corte, divisão. Cisão é até mesmo divergência, desarmonia. A decisão possui em si um caráter de ruptura, de separação. Cissão é até um sinônimo de fissão que na biologia( segundo o dicionário) é a divisão de um organismo unicelular. Se a cisão pode ir tão fundo para chegar ao ponto de separar algo único, o que a decisão então poderia fazer em nossas vidas? A decisão, ao meu ver, é uma separação quase sempre geradora de tristezas.

          Para mim a palavra decisão por mais coerente que me seja sempre vai deixar algum tipo de ruptura, sempre vai cindir e cerzir tristezas. Por mais que seja decisões simples ou complexas, mesmo que seja de cortar um laço com alguém ou fazer um laço com alguém, a decisão sempre vai costurar mágoas, pois decidir é dividir seja fisicamente indo embora ou sentimentalmente indo embora do coração. Decidir não é ferir, pois ferir é talhar, decidir é quase sempre magoar, pois talho pode ser costurado mas ruptura é quebra, é divisão. Deixar de ser depois de decidir é muito mais difícil, a decisão tem por ideia não ser retroativa, e se for, é de se acreditar que foi tomada sem coragem, com medo de romper, e se é para não romper é de se acreditar que foi talho e não decisão. Pois retalho é algo que se juntou mas não será mais o mesmo.E por outro lado, não existe "recisão" no sentido de juntar, pois a "rescisão" também significa romper. Tudo isso serve para dizer que toda decisão para mim é tristeza a granel.

5 de ago de 2013

Sobre tela e tê-la





A tela tem por si só uma gama de significados atrelados diretamente ou indiretamente a ela. Vai desde um tecido fixado, geralmente branco, que leva pelo menos uma mão de pintura ou até mesmo uma superfície fluorescente no qual se projeta uma imagem tal como a televisão. A tela, seja ela um quadro ou um expositor de um filme, tem seu objetivo a projeção tanto de fora para dentro no caso da pintura quanto de dentro para fora no caso de um filme. A tela lança ou puxa para si tudo aquilo que a imagem lhe permite mostrar. Ou até mesmo lança sobre o olhar aquilo que não se mostra na superfície. A tela, bem provavelmente, também expurga.

Em um trançado comum as linhas de algodão se juntam unificando-se até formar um tecido. É uma trama, a formação dessa textura vai então ganhar outro tipo de trama: a intriga ou a conspiração da tinta. E até mesmo a trama cinematográfica, que é da tela que sai. É tudo premeditado.

As pinturas que tramamos em nossas mentes nem sempre condizem com essa pintura que está sendo feita diante dos nossos olhos agora. É uma maldade esse jogo do que queremos pintar com o que estamos vendo sendo desenhado. As projeções choram para o azul quando dão certo e para o cinza quando dão errado.

Agora sobre tê-la tenho outro problema. O primeiro é claramente gramatical, o verbo que me faz tomar posse, ter, está devidamente separado dela, e é ela, esse "la", devidamente chamado de pronome oblíquo átono, longe do meu "ter" por um hífen malicioso ( oblíquo em seu outro sentido) separados na gramática tal como somos separados em vida: pela distância, pelos caminhos ou pelos desencontros.

O hífen que se põe no meio e me impede de a ter, de tê-la. O hífen que me atrapalha de ser dela, de ser tela. Enquanto a tela tudo trama para se unir a espera da tinta que não diz como vai se espalhar e que imagem irá formar, o hífen se torna meu algoz e me deixa estar perto dela mas nunca tê-la. Talvez eu a tenha do outro lado dessa linha que separa. Mas o que se vê talvez não seja isso,os minutos pintam sobre a tela uma trama de separação,que conspira em qualquer tela, seja ela de linho ou de tubos catódicos, e sobre a tela se vê que tê-la é difícil e pinta separa-la. Ela sempre vai estar além do hífen.


12 de jul de 2013

Sobre onde mora a sensibilidade





Possivelmente é uma escrita atemporal que estou fazendo agora. Espero também que seja pouco enfeitada e de alta precisão. Uma extração real e racional de um sentimento ou talvez apenas dissolver uma dúvida ou acompanhar o fluxo da mesma, diria que talvez seja apenas uma dívida minha comigo mesmo descobrir e falar  sobre o  lugar no qual vive a sensibilidade, mais precisamente, onde vive a minha sensibilidade.

Não está no meu plano definir o que seria a sensibilidade, seria pretensão demais achar que eu posso dar fim a algo que não seja a mim mesmo. Minha ideia aqui nada mais é que pulsar um signo que para mim foi sempre ou quase sempre o motivo das minhas perturbações: sentir exageradamente o que é incrivelmente pequeno. É como dar valor aos pequenos pingos de "i" e por vezes me odiar por não mais ter a chance de colocar nenhum pingo nos "i"s já que pouco escrevo coisas no papel e quando escrevo, são tão sem poesia que não valem o pingo. São "post-it" de avisos, são frases imperativas ou algum recado para a minha própria memória já um pouco cansada de lembrar mas que nas noites se esforça em não esquecer.


Entre inúmeras definições que podemos encontrar nos dicionários sobre a palavra "sensibilidade" ou "sensível', neles sempre haverá o destaque para a facilidade de receber estímulos externos ou os de expurgar os internos e muitas vezes uma possível ligação com a fraqueza, da fraqueza é totalmente compreensível a ligação já que sensibilidade, ao meu ver, seria tal como segurar o singelo, é onde mora o zelo é onde existe elo.

Se existe então um elo entre sensibilidade e fraqueza( o que para mim não tem cabimento mas entendo) é o mesmo que dizer que o rude está ligada a força, nem todas pessoas que são rude são fortes e nem todos os fortes são rudes e poderia dizer que nem todo fraco é sensível e nem todo sensível é fraco. Os antônimos quando brigam procuram o lado no qual mais se encaixam, mas quando esses antônimos se beijam é onde mora o alivio.

Estranhamente eu conecto sensibilidade a toda forma de expressar um pulso rápido e sincero que precisa de um estimulo mágico e que não necessariamente precise de sujeitos. A parede está gelada nesse minuto, mas não preciso do meu tato para sentir o seu gelo,os meus olhos o sentem, e eu não sou o sujeito que diz que está frio, meus olhos me dizem, o tato escuta e a mente faz de conta que não está vendo essa bagunça de sentidos que está ocorrendo só de olhar para a parede branca e sem um nome só para ela. É só uma parede, é a minha, mas é só uma. A parede me mostra que existe uma conexão atípica entre ela e meus olhos e o sentimento entre eles eu não me meto,parecem brigados. Reparo também que tudo é confuso quando não se tem perto aquela pessoa. Os sentidos não se entendem.

O toque é o que melhor degusta dos prazeres sentimentais. O toque me parece o mais real dos sentidos, diria que ele é o dono da casa. Sentir a pele daquela pessoa que você contou os dias para ver e que muitas vezes ouviu a voz em algum meio gelado de comunicação, aquela engolida na saliva insossa da distancia, tudo, mas tudo isso é suprido ao pulsar do tato. Ele é o chefe, o dono do fim da saudade, o que senta na ponta principal da mesa.O toque na pele, nos cílios, no cabelo e tudo se vai, esvai. Todo cuidado vira adulto e só quer cuidar. é por isso que quando tocamos alguém que queremos muito, seja com as mãos ou com a língua, nós fechamos os olhos, pois não precisamos ver o que está acontecendo, confiamos totalmente no dono da casa sensível e nos jogamos, ele dita todo cuidado e mata toda vontade. Após essa fricção contra a pele, sentimos o gosto, sentimos o cheiro e finalmente enxergamos tudo aquilo que foi talhado, é tudo real. Os sujeitos estão densos, cada um com seus cinco sentidos em total sincronia e depois desse incessante momento que acaba mas não de verdade termina, eu só consigo pensar que a sensibilidade é vizinha da alegria.

Existem muitas formas de sentir mas nenhuma delas precisa ter forma. Nenhuma virá em pacotes ou será vendida em lojas,não aparecerá nos comerciais. O sensível é minimalista de natureza, mas a natureza dele é ser grande, porém cuidadoso. É o grande que não é estabanado. Observar, tocar, cheirar, sentir e provar é uma família completa e tão completa que mesmo que você não tenha um dos membros em casa você consegue se manter sentindo. Saber aproveitar isso não te torna fraco. Ser alguma espécie de Ogro que ama flores é o que tenho sido e tudo é uma desculpa para amar.

3 de fev de 2013

Sobre a defasagem sentimental e o Carnaval






Então, estamos no inicio daquele fevereiro( ou desse) fevereiro que sempre tem gosto de chegada, tão aguardado para alguns, tão odiados para outros, entre críticas prós e contras nada é resolvido. Não há o que se resolver, é Carnaval!


Os panos que caem nesse período,  dias de lavar a alma, de deixar amores e enganos, desenganos, planos, tantos. Dias de deixar tudo em casa, de olhar a morena, as pernas, os shorts, não há saudades no Carnaval, a não ser do outro que passou, daquele, aquele, que se possível for, vai ser esse o melhor dos Carnavais.

Então me pergunto da finalidade da folia ser centralizada, especificada e datada, de uma sociedade tão desorganizada, marcar uma data anual tão aguardada para ser feliz. Se dias e noites são abstrações não entendo o porquê de organizar o amor, de organizar a dor, de organizar o favor, até o calor não escolhe dia, mas nós escolhemos os domingos para ser entendiantes. Escolhemos as segundas para serem Judas e as sextas para serem a crua felicidade nua, tua, minha e daquela moça de sorriso intenso...

Existe uma defasagem sentimental, existe entre dezembro e fevereiro um janeiro. Existe uma defasagem no meio de todos nós, todos somos janeiros, aquele mês que ninguem espera. Ou aquele mês que todos esperam passar. Vivemos entre as falsas esperanças que o dezembro promete trazer tal como um canalha que promete afeto, vivemos a agoniante espera dos quatro dias de fevereiro enquanto os 31 dias de janeiros se passam como tudo passa. Existe um janeiro que ninguém vê.

Mas de todo esse Carnaval, existe aquela também, aquela quarta feira de cinzas, de cinzas para ser apavorante, da roupa de rei que vestíamos e pulávamos, sobrou um dia que é meio feriado, meio dia útil, que confuso! Um dia que é meio alguma coisa só pode ser para  deixarmos o nosso reinado de forma calma, de forma cinza para não ser escura. Então nesse dia quase engraçado é que retornamos aos janeiros que somos, ao janeiro que temos. Retornamos para a oscilação de dias entre 30 e 31, tantos dias, mas só pensamos naquele mês que é tão diferente que nem ao menos chega a ter 30 dias, mais um tapa na cara dos janeiros, todos os outros meses são iguais. Todos são defasados e eu derramado

13 de mai de 2012

Lunapop e outras nostalgias

Duas coisas eram certas no meu dia a dia no Rio de Janeiro: o calor sentido e dar aulas com as músicas de que gosto.

Como a primeira coisa é claramente indiscutível, partirei logo para a segunda.
Como era de praxe eu pegar turma de nível I(eram as turmas mais cheias e interessadas) eu sempre chegava com as mesmas músicas. Bastava ligar o projetor e colocar o clipe e como em um passe da mágica, a banda Lunapop começava a tocar e me agradar, enquanto todos tentavam entender o que o vocalista cantava. Era normal ouvir dos alunos que eles esperavam os clichês como Renato Russo ou Laura Pausini, alguns até de Eros Ramazzotti falavam, mas não esperavam, ouvir de supetão o Lunapop.

Essa primeira música era meio que uma pegadinha, é obvio que não dá para trabalhar em uma turma de nível I, no primeiro dia de aula, uma música que em sua maior parte carrega na letra verbos no tão difícil "passato prossimo" do italiano, tempo verbal super carrasco para falantes do português, por não existir referente em nossa língua. Mas não era isso que me importava, a música era tão envolvente que quando eu passava mais uma vez ou como no clássico( andiamo ascoltare un'altra volta), só que dessa vez legendada em italiano, a banda já passava a ter seus fãs na sala, começavam a anotar o nome para pesquisar depois e parecia que a minha intenção começava a dar resultado...


"Ma c'è qualcosa di grande
Tra di noi
che non potrai cambiare mai
nemmeno se lo vuoi"


Depois disso, o que fazia parte das aulas era o igualmente adorado NEK e sua música sobra a Laura e o quanto ela dominava a mente do pobre Nek. Uma música mais simples, mais fácil de compreender.




"Se vuoi ci amiamo adesso, se vuoi
Però non è lo stesso tra di noi
Da solo non mi basto stai con me
Solo è strano che al suo posto
Ci sei te, ci sei te"




 Existem inúmera outras músicas ou apenas filminhos dos quais eu utiliza em sala. Bateu uma nostalgia desses tempos, dessas aulas, dessas turmas. Não foi por acaso porém, que essa nostalgia me pegou, não foi do nada que revi todos os videos, todos os matérias que já havia feito, os videos que já havia legendado e por ai vai.  Não foi à toa que cantei junto...não foi...

Recebi um e-mail hoje, de uma senhorinha, que foi minha aluna durante três períodos seguidos, ela adorava as aulas, não perdia uma. Estava sempre animada ainda mais com a possibilidade de ir para Itália e conhecer tudo que queria. Cantava Rita Pavone e Peppino di Capri. No e-mail ela falava com tanta nostalgia das aulas, dos matérias e das coisas, tal como estou fazendo aqui. Relembrou coisas até que já havia me esquecido, maneiras que ensinei certas coisas complicadas e o jeito que eu falo. Ela me fez rever tudo para ter certeza que não vou me esquecer de nada. Ela me fez me lembrar que não tenho motivo para me esquecer de nada. 




Pode ter certeza que não irei ;)

17 de abr de 2012

Sobre o fim do malandro





O fim do malandro... o fim ou apenas uma grande mudança de estilo.  Tal como a música que nos diz, a decepção daquele que foi até a Lapa e se frustrou por não encontrar algo que ele pensou que encontraria, a malandragem dos tempos de outrora, mas, estava, então, tudo diferente, tudo tão... modificado.

A malandragem foi moldada, foi padronizada dentro de uma sociedade pseudo-hipócrita-conservadora, o malandro agora trabalha, agora tem família, agora tem capital...
Toda a música prende o malandro, antes libertino e pejorativo em si mesmo, de vestimentas características e todo o seu jogo, no agora normal e casado homem de família trabalhador.

A malandragem foi deixada para trás tal como era e vendo tal como é agora, antes o pejorativo malandro, mil vezes ele, do que os atuais.

E então, não é desse novo malandro e do antigo talvez, que se retrata na ópera do malandro? o que tenta ascender e aquele que não entende tal.


Uma pequena disputa, como sempre na base da aposta, na base da competição, do aquele e então sumido malandro, que não mais fazia jus ao seu espaço, ao seu território, o novo e o velho malandro e tudo mais.

Por fim, fazendo ou não parte de um todo dito aqui, a tentativa do retorno do malandro...a praça o espera



Levando esse tipo essa ideia para outros meios podemos fazer inúmeras comparações de situações de mudanças e suas tentativas de rebeldias para retornar, avançar ou simplesmente mudar. O fim do malandro decepciona aquele que o queria homenagear, o novo talvez se sinta bem por não fazer mais parte daquilo, do covil, a volta é pedida então por alguns.
Parece-me, então, que sempre, em tudo, as coisas são assim. O novo, não pesado se é bom ou ruim, a resistência e os aleatórios.

 O fim do malandro talvez não importe, não para você, talvez só para mim. O fim não só do malandro talvez não importe para você, talvez só para mim.
Apenas vejo que por mais que queiramos mudanças, sermos diferentes do outro de agora ou do outro do passado, parece-me , irremediavelmente, que somos sempre iguais a todos que já passaram por aqui.
O fim do malandro foi apenas uma desculpa para falar da minha decepção.

21 de mar de 2012

Sobre setas e alvos



Essa música é incrivelmente devastadora para mim. Sim! Não sei se eu penso exatamente como um dos polos do eu-lírico da música, mas eu tento o máximo possível.
Esse extremo oposto do meu eu, do m'eu apenas. Esse extremo oposto que me afasta mas que me puxa para perto ao mesmo tempo. Quero sempre lembrar que não adianta "fugir" pois o meu "eu" vai estar sempre no s'eu, inevitavelmente...

Não é tão fácil simplesmente pegar uma parte da música e falar sobre, pois toda ela tem muita verdade, tem muito do que eu penso e do que eu vivi e do que vivo. Toda a música fala da quase frustração levemente desesperadora. A frustração de ser a parte que se joga enquanto a outra se guarda. De ser a coragem enquanto a outra é medo. A frustração de ir para o desconhecido enquanto a outra quer apenas ter tudo palpável.

Não falo de uma situação especial, falo de tudo de todos.

8 de mar de 2012

Chaves e a demonstração de valores no episódio que antecede a ida para Acapulco



O episódio é um velho conhecido da maioria e marca uma inesquecível viagem para Acapulco( ou Guarujá na redublagem). Mas a idéia não é simplesmente falar do episódio ou algo assim, quero ressaltar algumas coisas que percebi no mesmo.

Muito além de simplesmente fazer uma análise psicológica dos personagens ou falar de sua importância na construção do seriado, eu quero falar como é simples, bonito e emocionante tudo que remete o Chaves.

A vila é composta por moradores com traços de personalidades bem marcantes. A viúva que não perdeu a ideia de status, apesar de ter baixado sua classe social, a mulher solteira que ficou para "titia" e o desempregado,viúvo e preguiçoso mas de bom coração. As crianças da vila possuem um traço em comum: todas são órfãs, uma de pai outra de mãe e uma delas de ambos. O caráter delas se constrói na base de sua interação não apenas com sua família mas com toda a vila que ali  está.

Dos personagens externos a vila, temos um professor, que é o que traz o conhecimento para a vila de certa forma, e o dono da vila, que apesar de não pertencer aquela classe social e aquele estilo de vida, entende, de certa forma, como aquelas pessoas vivem.

Caso você veja o episódio para relembrar vai ver que de início o professor( logo a figura do professor) desconfia que a Chiquinha havia roubado um objeto e foi alertar o pai, pasmo  seu Madruga ressalta a honestidade mesmo na pobreza e de início fica intensamente triste com o ocorrido. Após a confusão ser explicada, o professor demonstra sua alegria em meio a tanta esperança que aquela criança demonstrou por ter comprado um objeto para concorrer a uma possível viagem e já estar falando como se a tivesse ganho e terminou com um adendo de que os adultos deveriam manter tal esperança e sonhos tal como fazem e são as crianças.

Alertada sobre a viagem e em uma incrível demonstração de inveja, Florinda e seu filho decidem ir para Acapulco como uma afronta ao vizinho. Como em uma infantil demonstração de " se ele pode eu posso" e preparam também uma viagem.

Dona Clotilde tem como motivação apenas a ida do Madruga para tentar uma aproximação amorosa, motivo idêntico ao do professor para com a Florinda.

Ao meio de todo o alvoroço da viagem quem fica esquecido em meio da felicidade e ansiedade da viagem é o pobre do Chaves, que calado permaneceu durante toda movimentação. Lembrar que apenas quem se despediu dele foi a Chiquinha, todos os outros não se deram nem conta da existência dele naquele momento, mas ele se mostrou forte e nada falou, nada comentou, apenas assistiu a tudo calado.

Seu Barriga ao chegar na vila e ser noticiado que todos haviam ido para Acapulco decidiu então também tirar umas férias, ao perceber o Chaves ali sozinho foi tocado e envolvido e o convidou para ir com ele. Ressaltar que foi o único adulto a notar e falar com Chaves mesmo sendo alguém externo a vila e de classe social elevada, situação não vista nem ao menos pelo professor, que vive e conhece a situação na qual vivem seus alunos de forma geral e nem por isso foi tocado por qualquer sentimento de exceção e visto que o único ali que não poderia fazer nada é o Madrugada. Houve sim omissão e falta de solidariedade por parte da Florinda( que quer comunicar status) e da Clotilde também. O fato de que o Quico não ter se despedido reflete apenas uma construção de caráter influenciada de sua mãe ou uma simples ansiedade. As crianças ali ainda estão em processo de formação de caráter e é muito importante que eles não sejam nutridos com sentimento de inveja e rancor tal como a Florinda alimenta.

O episódio é carregado de valores e sentimento. Para mim é simplesmente tocante e emocionante. Difícil de dimensionar o que eu sinto quando o assisto. Chaves é algo tão imortal quanto os valores que ele passa.

2 de mar de 2012

Racionais Mc’s e seu contexto social: As marcas dêiticas subentendidas e sem referentes linguísticos nas músicas




O Grupo e seu estilo

Não é o caso aqui colocar em voga a qualidade musical do estilo ou propriamente do grupo e sim destacar os elementos de construção utilizados pelo autor que vão além do discurso e chegam a se misturarem claramente com a questão social. O rap é considerado a “voz dos excluídos” e é através dela que o rapper chega aos outros como um meio de comunicação muito mais eficiente que a mídia, é observável, também, a aversão que eles possuem para com qualquer grande veículo de comunicação.  

Todas as músicas do grupo falam de algumas das dificuldades de se viver na linha ou abaixo da linha da pobreza, sobre a sedução do tráfico e os perigos dele, sobre a vida na cadeia ou de quem saiu dela e muitas outras coisas.  Destaca-se a riqueza das rimas e as incríveis imagens poéticas criadas para climatizar o que está sendo dito. O jogo poético e o alcance do mesmo é simplesmente imensurável. Embora que o rapper não é algo feito para “todos” e não são “todos” que o podem compreender. Pois, é necessário ter vivido aquilo que está na música, é necessário ter testemunhado aquilo, é necessário fazer parte daquilo.

A parte da construção poética é uma das partes mais interessantes, embora o estilo seja totalmente estigmatizado pelas camadas sociais amis altas como som exclusivamente de pobre ou de negro, ou simplesmente “o estilo ouvido por moradores de comunidades”. Existem inúmeros trabalhos acadêmicos no Brasil sobre os grupos de rap e principalmente trabalhos sobre os Racionais. É simples ouvir uma música dos racionais e ver ali tantos jogos de palavras e a qualidade imagética das construções como por exemplo:
Jesus chorou – Racionais mc’s
O que é, o que é?
Clara e salgada, Cabe em um olho e pesa uma tonelada.
Tem sabor de mar, Pode ser discreta.
Inquilina da dor, Morada predileta.
Na calada ela vem, Refém da vingança,
Irmã do desespero, Rival da esperança.
Pode ser causada por vermes e mundanas
E o espinho da flor, Cruel que você ama.
Amante do drama, Vem pra minha cama,
Por querer, sem me perguntar me fez sofrer.
E eu que me julguei forte,
E eu que me senti, Serei um fraco quando outras delas vir.
Se o barato é louco e o processo é lento,
No momento, Deixa eu caminhar contra o vento.
Do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável?
O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável.
(E quente) Borrou a letra triste do poeta.
(Só) Correu no rosto pardo do profeta.
Verme sai da reta,
A lágrima de um homem vai cair,
Esse é o seu B.O. pra eternidade.
Diz que homem não chora,
Tá bom, falou,
Não vai pra grupo irmão aí,
Jesus chorou!
A sensibilidade e a competência poética do trecho não me deixa dúvidas que isso é sim poesia.

A Dêixis

Elementos dêiticos são como embreagens da língua (Benveniste) são elementos utilizados para dar um contexto ao discurso e são eles que posicionam o locutor, o interlocutor o espaço e o tempo da enunciação. Os elementos mais comuns da dêixis são o “eu”, o “você”, o “aqui” e o “agora”. Para que eles funcionem com total sentido é necessário sempre uma referência, pois o “eu” muda de acordo com quem está falando, embora o elemento seja o mesmo o referente muda, e assim acontece com o “aqui” ou qualquer outro elemento dêitico.  Caso escreva uma carta ou um bilhete utilizando um “esteja aqui amanhã” e esse bilhete não conter data ou o amanhã não estar ligado a uma data, esse elemento não estará completo de sentido e logo, vazio de valor.
Alguns estudiosos da cena enunciativa, da questão da enunciação e enunciado sempre destacam o estudo da dêixis e das anáforas, pois são elas importantíssimas para a manutenção de sentido do texto dentro de um contexto específico. Já que é intimo a relação de um “ele” com um referente anterior, ou simplesmente anáforas ou catáforas como por exemplo “ O meu carro está ruim” e mais na frente no texto utilizar uma frase “ foi algo no volante”, fica, claro que “volante” ai está substituindo o termo “meu carro”, não é necessário explicar de qual volante estamos falando, o sentido permaneceu intacto, nada foi perdido ou confundido.




A Vida É Um Desafio(sem correção)
"tem que acreditar.
Desde cedo a mãe da gente fala assim:
'filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.'
Aí passado alguns anos eu pensei:
Como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses... por tudo que aconteceu? duas vezes melhor como ?
Ou melhora ou ser o melhor ou o pior de uma vez.
E sempre foi assim.
Você vai escolher o que tiver mais perto de você,
O que tiver dentro da sua realidade.
Você vai ser duas vezes melhor como?
Quem inventou isso aí?
Quem foi o pilantra que inventou isso aí ?
Acorda pra vida rapaz"
Sempre fui sonhador, é isso que me mantem vivo,
Quando pivete meu sonho era ser jogador de futebol, vai vendo.
Mas o sistema limita nosa vida de tal forma
Que tive que faze minha escolha, sonhar ou sobreviver.
Os anos se passaram e eu fui me esquivando do ciclo vicioso
Porém, o capitalismo me obrigou a ser bem sucedido,
Acredito que o sonho de todo pobre, é ser rico.
Em busca do meu sonho de consumo
Procurei dar um solução rápida e fácil pros meus problemas,
O crime.
Mas é um dinheiro almadiçoado,
Quanto mais eu ganhava, mais eu gastava.
Logo fui cobrado pela lei da natureza, vixi
14 anos de reclusão.
Barato é loco, barato é loco...
É necessário sempre acreditar que o sonho é possível,
Que o céu é o limite e você truta é imbatível.
Que o tempo ruim vai passar é só uma fase,
E o sofrimento alimenta mais a sua coragem.
Que a sua família precisa de você
Lado a lado se ganhar pra te apoiar se perder.
Falo do amor entre homem, filho e mulher,
A única verdade universal que mantém a fé.
Olhe as crianças que é o futuro e a esperança,
Que ainda não conhecem, não sente o que é ódio e ganância.
Eu vejo o rico que teme perder a fortuna
Enquanto o mano desempregado, viciado se afunda
Falo do enfermo irmão, falo do são, intão
Falo da rua que pra esse louco mundão
Que o caminho da cura pode ser a doença
Que o caminho do perdão as vezes é a sentença
Desavença, treta e falsa união
A ambição como um véu que cega os irmão
Que nem um carro guiado na estrada da vida
Sem farol no deserto da trevas perdida
Eu fui orgia, ego louco, mas hoje ando sóbrio
Guardo o revólver quando você me fala em ódio
Eu vejo o corpo, a mente, a alma, espírito
Ouço o refém e o que diz la no ponto lírico
Falo do cérebro e do coração
Vejo egoísmo preconceito de irmão pra irmão
A vida não é o problema é batalha desafio
Cada obstáculo é uma lição eu anuncio
É isso ai você não pode parar
Esperar o tempo ruim vir te abraçar
Acreditar que sonhar sempre é preciso
É o que mantém os irmãos vivos
Várias famílias, vários barracos,
Uma mina grávida
E o mano ta la trancafiado
Ele sonha na direta com a liberdade
Ele sonha em um dia voltar pra rua longe da maldade
Na cidade grande é assim
Você espera tempo bom e o que vem é só tempo ruim
No esporte no boxe ou no futebol alguém
Sonhando com uma medalha o seu lugar ao sol porém
Fazer o que se o maluco não estudou
500 anos de brasil e o brasil aqui nada mudou
"desesperô aí, cena do louco,
Invadiu o mercado farinhado armado e mais um pouco"
Isso é reflexo da nossa atualidade
Esse é o espelho derradeiro da realidade
Não é areia, conversa, chaveco
Porque o sonho de vários na quebrada é abrir um boteco
Ser empresário não dá, estudar nem pensar
Tem que trampar ou ripar pros irmãos sustentar
Ser criminoso aqui é bem mais prático
Rápido, sádico, ou simplesmente esquema tático
Será extinto ou consciência
Viver entre o sonho e a merda da sobrevivência
"o aprendizado foi duro e mesmo diante desse
Revés não parei de sonhar fui persistente
Porque o fraco não alcança a meta
Através do rap corri atrás do preju
E pude realizar meu sonho
Por isso que eu afro-x nunca deixo de sonhar"
Conheci o paraíso e eu conheço o inferno
Vi jesus de calça bege e o diabo vestido de terno
Mundo moderno, as pessoas não se falam
Ao contrário, se calam, se pisam, se traem, se matam
Embaralho as cartas da inveja e da traição
Copa, ouro e uma espada na mão
O que é bom é pra si e o que sobra é do outro
Que nem o sol que aquece, mas também apodrece o esgoto
É muito louco olhar as pessoas
A atitude do mal influência a minoria boa
Morrer a toa que mais, matar a toa que mais
Ser presa a toa , sonhando com uma fita boa
A vida voa e o futuro pega
Quem se firmo falo
Quem não ganho o jogo entrega
Mais um queda em 15 milhões
Na mais rica metrópole suas varias contradições
É incontável, inaceitável, implacável, inevitável
Ver o lado miserável se sujeitando com migalhas, favores
Se esquivando entre noite de medo e horrores
Qual é a fita, a treta, a cena ?
A gente reza foge continua sempre os mesmo problemas
Mulher e dinheiro tá sempre envolvido
Vaidade, ambição, munição pra criar inimigo
Desde o povo antigo foi sempre assim
Quem não se lembra que abel foi morto por caim
Enfim, quero vencer sem pilantrar com ninguém
Quero dinheiro sem pisar na cabeça de alguém
O certo é certo na guerra ou na paz
Se for um sonho não me acorde nunca mais
Roleta russa quanto custa engatilhar
Eu pago o dobro pra você em mim acreditar
"é isso ai você não pode parar
Esperar o tempo ruim vir te abraçar
Acreditar que sonhar sempre é preciso
É o que mantém os irmãos vivos"
Geralmente quando os problemas aparecem
A gente está desprevenido né não
Errado!
É você que perdeu o controle da situação
Perdeu a capacidade de controlar os desafios
Principalmente quando a gente foge das lições
Que a vida coloca na nossa frente assim tá ligado
Você se acha sempre incapaz de resolver
Se acovarda morô
O pensamento é a força criadora
O amanha é ilusório
Porque ainda não existe
O hoje é real
É a realidade que você pode interferir
As oportunidades de mudança
Ta no presente
Não espere o futuro mudar sua vida
Porque o futuro será a conseqüência do presente
Parasita hoje
Um coitado amanhã
Corrida hoje
Vitória amanhã
Nunca esqueça disso.
A cena musical já no inicio filtra o foco daquele “recado” com o “ desde cedo a mãe da gente”, esse “da gente” vai ser explicado logo depois no “por você ser preto”... depois de  refletir sobre o conselho o eu-lírico começa a falar sobre si mesmo e como aquele conselho não encaixa com a realidade. Mas ai o outro começa a falar sobre a persistência, sobre o sonho e sobre lutas, esse segundo utiliza constantemente o “você”. Segue-se falando sobre diversos contextos como cadeia, fome, sobre desemprego e a vida do crime. Um momento de separação entre rico e pobre é utilizado sobre a metáfora “ vi Jesus de calça bege e o Diabo vestido de terno”, inserindo ai um juízo, um conceito sobre o que é ser rico na visão do outro, do oprimido. Após falar sobre egoísmo e falta de altruísmo ele utiliza um termo mais genérico, querendo ressaltar então que o egoísmo é algo geral:

Mundo moderno, as pessoas não se falam
Ao contrário, se calam, se pisam, se traem, se matam
Embaralho as cartas da inveja e da traição
Copa, ouro e uma espada na mão
O que é bom é pra si e o que sobra é do outro
Que nem o sol que aquece, mas também apodrece o esgoto
Analisando a letra da música observa-se o uso de vários elementos dêiticos sem referentes, pois, isso não significa que eles não saibam se comunicar, isso significa que o contexto social das comunidades e das músicas estão diretamente atrelados.  Pegando essa ou outras músicas o “você” é sempre o jovem, negro, confuso que está entre o emprego e a vida do crime. O jovem que está vendo as dificuldades enquanto a mídia impõe o consumismo. Jovem seduzido pela vida do crime e pelo status social que aquilo o dar tão rapidamente dentro daquele mundo. Esse “você”, não é aquele que tá de fora é sempre esse jovem. Como os inúmeros “aqui” que sem referente que se encontram nos rappers é sempre a favela, a comunidade, o lar, a pobreza, a miséria. Por outro lado se vê muito “eles” ou “ele” que indicam diretamente , o rico, a mídia, o opressor.
O contexto social vai além das referências de um texto, a mensagem pode ser entendida pro aquele que vive o que está sendo dito nessas músicas. Não é necessário explicar misérias quando você as vive.

8 de nov de 2011

Sobre a banda YUCK e a partida



Não me lembro como conheci a banda YUCK, mas gostei das músicas deles. Até onde eu sei a banda não é lá muito conhecida aqui você confere o "My Space" da banda e aqui o blog.

Minha música favorita é essa:


Não sei dizer se o clip é original da música ou não, inclusive tem o Nicolas Cage nele. Vale a pena conferir a música "Georgia" também.

Queria muito poder postar esses dias durante a vivência do que irá ocorrer, mas pelo visto não terei PC disponível para tal atividade. Vale torcer para que eu mantenha mais acesa possível a lembrança quando retornar. E poder grafar os ocorridos.
Fica aqui a vontade da mudança, a manutenção do sentimento e o desejo. Que me acompanhe as músicas do Yuck e  tantas outras. 

6 de nov de 2011

Sobre o The Walking Dead


A segunda temporada da série The Walking Dead começou e até o momento a qualidade da série se manteve intacta.
Quero ressaltar o que eu achei do primeiro capitulo( se você não o assistiu o faça antes de ler).

Clique aqui para continuar lendo



Não quero falar da primeira temporada por já foi há bastante tempo e fez com que muitos fãs ficassem em uma sedenta espera pela estréia da segunda temporada. Depois do tenso final do sexto episódio no qual quase culminou na morte de todos sem a culpa diretamente dos "errantes", "andarilhos" ou simplesmente "zumbis" a segunda temporada começa exatamente no mesmo ponto.

Não vou ficar falando muito do episódio( só um pouco) que qualquer um pode ir lá e ver e tirar suas próprias conclusões. Mas o que ficou bem claro para mim nesse primeiro momento são os conflitos internos que o grupo de sobreviventes começou a travar por incríveis problemas de convivência. Não dá para dimensionar o nível de stress que um apocalipse zumbi pode trazer, mas parece que mesmo na maior catástrofe que a humanidade pode testemunhar os humanos vão continuar com o jogo de intriga, inveja e poder.

O grupo que se formou e se manteve por terem em comum ainda estarem vivos encontrou logo no inicio uma estrada bloqueada por carros. Enquanto averiguavam o que poderia ser útil dentro dos carros, uma caravana de zumbis vagavam na mesma direção. Todos se esconderam como podiam e é claro que dar algum tiro ali seria fatal pois alarmaria todos os zumbis e alguém acabaria sendo morto.

O primeiro sinal de egoísmo e desespero foi quando Andrea foi encurralada dentro do trailler e um zumbi examinava tudo enquanto ela tentava montar sua pistola, quando ao deixar cair uma das peças o zumbi acha seu esconderijo e começa a forçar a porta. Não importa ali se ela se mataria( como ficou subentendido) ou se atiraria no zumbi, em todo caso aquele tiro provavelmente mataria boa parte do grupo a julgar pela quantidade de errantes que trafegavam com a caravana. Andrea quase pois a vida de todos em risco em troca de seu suicídio ou de alguns minutos a mais de vida.

Depois dessa parte a pequena Sophia foi encontrada pelos zumbis e fugiu para a mata, em um ato de solidariedade e coragem Rick parte para ajuda-la deixando seu esconderijo. Na mata ele coloca Sophia em um local seguro  e tenta matar os dois zumbis que a perseguiam, após o ataque ele retorna e ela não está no local que ele havia colocado. Começa então uma incessante busca pela menina Sophia.

Reparei nessa parte a ingratidão por parte da mãe de Sophia que ao invés de agradecer Rick por tê-la salvo, o culpou por tê-la abandonado. Rick passou a ter o conflito se fez ou não o melhor ao deixa-la sozinha para matar os zumbis. Shane não teve dúvidas que Rick fez o melhor.

A busca por uma vida coloca em risco todo o grupo, mas todos ainda decidiam procurá-la enquanto Shane já está se preparando para deixar o grupo fugir sozinho por causa do seu amor pela esposa do Rick e toda a culpa que sente pelos ocorridos da primeira temporada. Andrea também decide deixar o grupo e praticamente já se sente morta, poir depois da morte da irmã o suicídio para algo inevitável para ela.

 O velho Dale para controlar a vontade do grupo mentiu sobre o conserto do carro para retardar a saída do grupo da estrada e manter acesa a chance de encontrar a menina viva. Uma decisão bonita mas de certa forma egoísta pois ele ousou a decidir sobre o destino de todas as vidas para possivelmente salvar uma . Fica ai o poder de decisão individual, se vale a pena ou não arriscar a vida de quem está seguro para talvez salvar alguém que nem ao menos se sabe se está viva.

No final acontece uma tragédia logo com a outra criança do grupo. O que já se pode pensar e pesar se realmente valeu a pena aquela busca, pois agora ao invés de uma possível criança morta poderemos ter, então, duas.

Parece então que teremos conflitos e conflitos além de apenas morte de zumbis. Parece que os desejos e o egoísmo e a ingratidão começará a dar às caras. Parece que existe essa parte ainda viva na mente da humanidade mesmo após uma catástrofe que já mudou toda a sociedade.

29 de ago de 2011

Em ventos

Lentos ventos nesses eventos.
Dura, pedra, dor, parede.
parar, arranhar e etc.

O que eu não tenho em palavras me sobra em tristezas...

23 de ago de 2011

Sobre o que eu não entendo


Acabei de ter a ideia de digitar no Google a frase " Não Entendo" e colocar na aba "imagens" e foi a imagem acima o primeiro resultado. Por questões indiscutíveis do ponto de vista teórico, se foi coincidência ou  não,  a imagem remete, em primeiro momento, uma pessoa ao menos refletindo e tendo como companhia a luz do luar. Interessante ressaltar que o "pensar/refletir" esteja diretamente ligado ao ato de "não entender", como já tem sido bem explicitado o " só sei que nada sei" fiquei bem animado com  relação de "pensar/não-entender".

Resolvi continuar e clicar para ver a origem da foto. Foi então que cai neste BLOG, no qual a frase de entrada é "Parei para escrever meus pensamentos". Achei, então, que estava diretamente relacionado com o que eu estava pensando sobre a questão do "pensar/não-entender". Li a postagem da data na qual se funda a foto e algumas palavras chaves ligavam a algum tipo de "observação/análise". A questão que se fundamentou posteriormente foi: Se pensar é procurar aprender/entender, como pode então, pensar e não chegar nesse resultado? Foi ao pensar nisso que olhei para direita e vi o seguinte link : "Desarmonia preestabelecida". 

Vi, então, que a questão pudesse ser de fato esta : Desarmonia preestabelecida. Pensar não significa necessariamente entender. Pensar se relaciona com a escolha de diversos caminhos que se pode seguir de acordo com as suas capacidades de analisar os fatos para se chegar em algum lugar. Mesmo que esse lugar seja a "não compreensão" de algo. Ou seja: não entender.

As coisas que faço são realmente sobre o que eu não entendo, de fato, não entendo nada sobre nada. Vivo bem com a especulação do meu ser, do meu saber.  Não preciso entender origens, não preciso entender regras. Não saber me basta. Mas, que fique claro, que para não entender algo, se deve pensar muito sobre ele. Pois só a complexidade do pensamento sobre uma ótica e a profunda análise e bastante estudo sobre alguma coisa bem específica faz com que você possa olhar para uma coisa e dizer: não entendo! 

As coisas não param no fundo do nosso olhar, as coisas não são aquilo que podemos tocar. As coisas não estão em nossos pensamentos. O mundo é externo a todos e está muito além do alcance. E só observar isso quem nunca se firma e diz que já entende tudo. Pelo simples fato que o tudo é muita coisa e do pouco já não damos conta.

21 de ago de 2011

SOAD

Why can't you see that you are, my, child
Why don't you know that you are, my, mind
Tell everyone in the world, that I'm, you
Take this promise to the end, of, you

17 de ago de 2011

Pronto

E que recomece o começo do desespero!
If you lose your money, great God, don't lose your mind.
If you lose your money, great God, don't lose your mind.
And if you lose your woman, please don't fool with mine.

30 de jun de 2011

la libertà d'essere

Ho scritto questo in un luogo e dopo sono andato via. Hanno già fatto cose che non mi ricordo, ma quella penna nella sua mano, quella penna in me vado ricordare per tutti giorni che essere vivo. La mia libertà e anche la sua.
La nostra magari, la nostra forse. Non me vedo più facendo niente che non me da voglia.
Sono quello ragazzo che fù buttato via per una feroce forza. Sono adesso un ragazzo che non sa che cosa deve fare!

27 de jun de 2011

Aquele louco e velho

Não sei ao certo, mas aquele louco e velho cansaço de tudo que não brilha.
Talvez de ilha em ilha algo que se olha, ai ai...

Percebi aquela mentira...
aquela mentira do "ta tudo bem?", "sim está..."

Aqueles "..." indicam tantas e tantas coisas. Mas a unica que não indica é que "está bem".

Não mentir por nenhum viés é o que se diz por ai, mas é assim que se é?
Se fechar em ilhas, é assim que você faz?
Qual é a ilha que você está agora e qual é a que eu posso entrar? Qual eu devo entrar?
Qual é a minha ilha? Não sei se devo me achar...

Aquele louco e velho cansaço de nadar entre essas ilhas, de ter que a cada momento mostrar minhas diferentes ilhas para as diferentes pessoas que por mim passam, que param, que perguntam que não entendem. Não entendem, entre muitas outras coisas, que eu não sou aquele velho e louco, louco e velho, mas sou de fato o cansado, o velho e louco é o meu eu de amanhã, e o seu?

É velho aquele louco e louco é aquele velho! Aquele que sou eu, somos nós.

Estranho

Pensando, pensando


Casas, escadas, acessos, idas e vindas, toques! Tudo quase não faz sentido.
Eu não faço sentido.


23 de jun de 2011

Dialetos

Não sei nada!

Essa frase deveria estar tatuada na minha alma! Nada sei, nada entendo. As vezes digo algo que ouvi por ai ou que li em algum lugar. Repito pensamentos, nada em mim é novo. Aceito que seja assim, porém...não, não tem porém! Estou ficando cansado de brigas de ego que não levam a nada. Tudo em mim é desassossego, é tormenta.

Cansado de comentários e de álcool barato. Cansado de reaver algo que nunca foi meu, nada é meu. Reaver?  Engraçado como o próprio verbo "haver" posposto ao "re" perde a identidade. Haver em português tem um sentido de "existir", mas em italiano, por exemplo, o verbo "ter" equivale a "avere", em português temos, então, "re- AVER" ? A relação entre "ter/haver/existir" vem do latim em apenas um verbo "habere". Essa coisa da língua e sociedade que nos prende, que me prende... cansei da questão de ter e existir estarem ligadas tão intimamente que mesmo, talvez, se odiando não se separam.

Qual é o propósito então? Todos aqueles olhares e destinos, todas aquelas perguntas que se juntam e se separam e todas as sinceridades descabidas e segredos revelados, existe, há, tem algum propósito? O que vale a pena é descobrir ou realizar sem descobrir? Ou morrer sem saber que fez?

Perdi a ligação... perdi o pensamento...perdi tempo

A cada "tic" minhas células morrem e não realizei todas as suas vontades e em cada "tac" eu sou cobrado por cada "tic" que deixei para trás.

Alguém me puna!

29 de nov de 2010

Peri-termo-sensações

                   Fiquei um pouco mais de um mês sem aparecer por aqui. Um mês parece muito e ao mesmo tempo parece pouco. Mas, digo que é difícil qualificar e quantificar o mês de novembro de 2010 tanto no aspecto de demora em relação aos outros meses do ano ou o mesmo período do ano passado(novembro de 2009) ou sua pseudo-velocidade que nos causa o "nossa como esse ano/mês passou rápido".
                   Em uma perspectiva comparativa-consoladora ocorreram grandes e boas mudanças comparando com o ano anterior, o que se manteve igual foi o cansaço de final de período e todas as faltas de novidades natalinas que o período, infelizmente, proporciona.
                   As mudanças são visíveis e as consequências das mesmas também. Estou aprendendo a conviver com as pan-monotonias e as panchatices que me cercam e, o pior: elas não vêm com grande estilo.
                   Vejo que um dia ou um mês podem ou não fazer a diferença no aspecto emocional-semântico da minha vida de acordo com a pessoa que cruza comigo. Pois, se eu encontrar alguém que não me importo e que não vejo há um ano e a inevitável pergunta do " e ai, rapaz, como cê tá?  surgir como uma bala de canhão à queima roupa, eu vou responder com um simples, "tá tudo bem, cara!" Ou seja, eu resumi um ano da minha vida com um "tudo bem!", Do contrário válido, eu posso ter mil coisas para contar de apenas um dia simples para a pessoa que, mesmo que eu não conte muito as coisas que deveria contar, da qual eu gosto de compartilhar minhas coisas.
                   Eu sempre me pego com parágrafos confusos e aparentemente incoerentes. Passo para o meu texto o que minha vida é. Ordens inversas poucas são. A aparente falta de ligação dos parágrafos reflete minha vida com poucas ligações. Duplas ou simples, no geral, e melhor, em dupla. Tão dupla que já foi tornada simples. Não vejo dias adiantados, não vejo advérbios transtornados. Mês de novembro tão sumido quanto eu. Tão eu que já não sei se estou, misturado e sintético, sou como uma mesóclise, evitá-las-ei por melhor ser. Tão novembro que me lembra o filme, doce é para ser igual. Não lembro como o filme acaba, mas não saber disso e de todo o resto torna tudo melhor!

6 de out de 2010

As chances

Eu poderia dizer que as chances seriam outras se eu não fosse quem sou. Se eu fosse outro será que perguntaria-me como seria se fosse um segundo outro?Como eu gostaria de ser se não fosse eu e quem eu gostaria de ser agora que eu mesmo me duvidas de outro. Como consigo me perguntar quem sou utilizando o"tu" se eu estou em um caso de eu mesmo no meu ser? Será que já sou outro que em algum momento já se pergunta de um terceiro eu que agora não me é mais? Ou será que tudo isso é fatiga de um tédio cansado de uma vivência agora chata e que antes nada era além de uma tediosa noite de certezas de hipóteses que não se comprovam. Como alguém me pergunta se eu tenho certeza de algo  esperando uma resposta como se alguma coisa em mim houvesse alguma resposta que pudesse ser chamada de correta? Como o meu eu me pergunta de mim estando eu o tempo todo com minhas hipotéticas mentiras e máscaras não aliviadas de uma propensa  mágica.

Tudo é uma tragédia Shakesperiana. Posso dizer que a frase anterior foi a unica do meu texto que mereceu ser curta. Tragédia. Ela por si só deve ser curta, pois os resultados são longos.

O meu eu trágico não se comporta bem com o meu eu épico. Não sou eu quando quero ser outro. Pois eu sou a mim mesmo e me tenho como dono. Sou o eu que nunca está, estar é algo que nunca é. Ser o é do estado é nunca poder entender o que nunca será. Porque o "estar" muda e o ser é eterno.

O meu eu se debandou de mim!

27 de set de 2010

Nem tão idiota, mas o idiotismo...

Existe um princípio que devemos adotar que é particular em cada ser, mas universal diante da humanidade. Devemos ser nós mesmos. Embora que para sermos nós, as vezes, devemos nos guiarmos em bases dos que já foram, ou seja, basearmo-nos em outro.Então, como sermos nós mesmos se para sermos nós precisamos ser parecidos com outros?! Existe um princípio do idiotismo coletivo. O que eu entendo desta idéia é que para não sermos iguais a todos devemos ser iguais aqueles que foram diferentes, mas aqueles que foram diferentes, em algum momento, foram iguais a alguém?

                O princípio do idiotismo se faz como base naqueles que não refletem sobre a própria existência e não se perguntam em nenhum momento qual marca que irão deixar.

                 Existiram pessoas que deixaram uma enorme contribuição para a continuidade da história do mundo. Essas pessoas romperam com as barreiras do preconceito e do seu próprio tempo e foram além de muitos. Hoje são referências a serem seguidas e adoradas, a grande maioria será sempre mantida assim, não importando quantos séculos se passem.

                 Mas essa contribuição se estende para tão somente uma espécie deste mundo: HUMANOS! Poderia dizer que meu cachorro me obedece muito bem,mas nunca obedeceria ao Hitler, por exemplo. Diria que até, talvez, o morderia. Então, de todas as espécies de animais que aqui vivem, somos importantes somente para nós mesmos. E nos achamos "os tais" somente porque quebramos a cadeia alimentar e deixamos de ser comida de urso em algum momento do mundo.

Devemos compreender que em face de importância somos como adubo da Terra( observa-se a letra maiúscula). Isto é, ao morrermos nosso corpo serve de alimento para os seres subterrâneos, como o adubo serve de alimento para uma planta. O idiotismo religioso, por exemplo, se centraliza ao ponto de dizer que nós( humanos) somos o mais importante do reino animal somente pela nossa pseudo-capacidade de "pensar". É um idiotismo de pouca análise. Onde se segue pensamentos antigos de forma antiga e caráter incrivelmente limitado. Mas este é um idiotismo que não devemos juntar nesta discussão, já que, ao meu ver, merece uma reflexão própria.

                No mundo de hoje um dos maiores idiotismo em minha opinião é a questão da "auto-ajuda" oferecida por outros. Mas que coisa estranha! Eu escrevo um livro de auto-ajuda que na verdade é para ajudar um outro. Deveriam então nomear o livro somente de "ajuda". O idiotismo de achar que eu, sem te conhecer e sem me contextualizar, posso escrever algo que você tire ali a solução para seus problemas. Penso, tão somente, que alguém possa não cometer certos erros, ou não tornar a cometer, se conseguir aprender com os mesmos ou aprender apenas por ter visto outros errando. É, para mim, o melhor jeito de ajudar-se.

               O idiotismo rende muitas outras questões e não dá para falar de todas de uma só vez. Deixarei para uma próxima ocasião estas questões. Somente adendo que alguém não precisa seguir os mesmos passos de outros, somente devemos olhar para onde os pés se firmaram e tirar destas conclusões quais são os caminhos menos movediços.

28 de jul de 2010

Diversas

Qual é o olhar? Qual é a proposta?
O que você tem para me dizer?
Quantas perguntas terei que fazer?
O que você não gosta?
Por que em mim você encosta?
Vai virar as costas?

Até vai!



Não sei ao certo a medida da certeza e nem ao menos sei se é possível saber ou se é necessário.
Morro um pouco mais a cada respiração. Sinto-me saindo de mim mesmo. Sinto-me ponto enquanto queria ser reticências. Sou exclamação enquanto queria ser interrogação. Não estou querendo ser gerúndio para sempre... queria ser pretérito imperfeito!

3 de mai de 2010

A lei da necessidade é realmente necessária?

A primeira coisa que deve ser dita sobre a palavra "necessidade" é que ela nos remete a várias outras palavras de cunho psico-social com base na "busca", com raiz no "preciso", no cume do "quero". A "necessidade" é aquilo que temos que ter, que precisamos ter, e sentir, e saber, e fazer... A necessidade nos deixa dependentes de escolhas programadas baseadas em um conceito anterior de busca, moldado, pré-determinado. Ou seja, determinamos as escolhas das nossas vidas fora de um olhar concernente a situação real imposta pelo momento vivo, isto é , infelizmente, pela idéia oriunda da nossa necessidade anterior do possível percurso simbólico das nossas vidas.
A necessidade de se ter um plano para tudo e uma programação específica generalizada nos deixa presos as artimanhas das hipóteses geradas por cada ínfima situação real de caminho do percurso.
A lei da necessidade é necessária até que ponto? Ela é realmente necessária? Deixamos de ser nos mesmos se não planejarmos nada em nossas vidas e partimos do ponto de fazer o nosso futuro baseados nas oportunidades e golpes que nos são dados em cada milésimo de segundo de um suposto presente? O que planejamos no passado( não importa quanto tempo seja esse passado) é válido para o futuro, seja ele qual for? Seremos seres sem perspectiva se não elaborarmos complexos planos de escape, com supostos "A", "B" e "C"?
A idéia principal aqui é analisar criticamente e inferir conscientemente sobre essa necessidade da necessidade.
Nada que escrevo tem uma resposta, porque eu nada sei sobre nada, Observo e penso. A minha necessidade é saber qual é a minha necessidade, no que eu sou necessário e o que é necessário para mim. Quero saber o porquê desse "necessismo" em nossa sociedade atual. Os meus pensamentos giram em torno da hipotése inatista das impossibilidades giratórias das dúvidas humanistas. Qual é realmente a necessidade de se ter necessidades?

24 de abr de 2010

Dica de leitura: A confissão de Lúcio

Clique aqui para baixar o conto no Domínio Público.


Estou dando essa dica de leitura, pois, confesso, que Mario de Sá-Carneiro deixou-me rendido por seu modo de desenvolver uma narrativa. Ele(Mário) escritor português que organizou e escreveu a revista "Orpheu" junto com Fernando Pessoa, foi autor de uma quantidade de obras literárias muito escassa, mas, o pouco que deixou foi de alto nível de elaboração.
Particularmente, a Literatura Portuguesa não me encanta muito, mas esse autor em especial me deixou tocado com a forma de não-acontecimento das coisas que brevemente acontecem. A Confissão de Lúcio é exatamente isso: o acontecimento dentro do não-acontecimento. É chocante a verdade dentro de um paradigma "desconstrutor" que o próprio Lúcio( narrador-personagem) nos conduz a pensar.
O conto é bem curto e de leitura relativamente simples, embora, é necessário realizar uma análise, já que a construção e seu desfecho se passa no interior da história. O conto faz pensar.